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    Home · Livros · Edith Wharton - O Filho de Duas Mães

    REF: #3553

    Edith Wharton - O Filho de Duas Mães

    12.00€

    Em 1906 Edith Wharton decide viver quase permanentemente em Paris. Tem ali oportunidades de convívio que a América, mesmo oferecendo com frequência a sua mesa a convivas escolhidos, não lhe saberia dar.

    E Paris também a faria esquecer- se dos lados negativos do seu marido inerte. Envolveu-se com o jornalista americano Morton Fullerton, representante de The Times na França, e teve as noites de amor com a intensidade que o seu poema «Terminus» nos revela (Wonderful were the long secret nights you gave me, my Lover…, lemos no seu primeiro verso).

    Em Paris, a vida agitada desfaz-lhe uma grande parte dos vazios que ela, no seu «quarto secreto», não consegue nunca preencher.

    Vive rodeada de relacionamentos masculinos que vão de Paul Bourget a Anna de Noailles, que vão de Henry James a Howard Sturges; sente-se bem no centro de homens cultos, de uma corte onde é adulada e elogiada, sobretudo por homossexuais.

    Mas esta celebração literária, estes sucessivos êxitos de crítica e público, são ensombrados por uma porção de desgostos que lhe tocam muito de perto os sentimentos.

    Em 1927 Walter Berry, o «seu» advogado americano, o dedicatário de Pastiches et Mélanges de Proust, o homem a quem ela chamava the love of my life, morre em Paris; pouco depois morrem-lhe dois dos seus antigos empregados; e um criado de quarto é assassinado pela sua mulher.

    A sua literatura acusa estes maus dias enchendo-se de histórias com subtilezas amargas, pessimismos e sombras. Talvez por tudo isto, em 1933 se tenha resolvido a escrever Her Son (O Filho de Duas Mães, que ocupa o maior número de páginas de Human Nature), onde a rivalidade esgrimida entre duas «falsas mães» se resolve num sombrio desaire de esplendorosa ironia.

    Edith Wharton terá mais quatro anos de vida. Em 11 de Abril de 1935 é atingida por um premonitório ataque cardíaco; outro, dois anos mais tarde e mais grave, deixa-a fechada no Pavillon Colombes que ela tinha adquirido sete anos antes em Saint-Brice-sous-Fôret, perto de Paris.

    Morre a 11 de Agosto de 1937, e é enterrada no cemitério de Versalhes, ao lado de Walter Berry. [Aníbal Fernandes]"

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